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AllowMe explica como funciona o novo golpe do “emprego de meio período”

Felipe Oliveira
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Contatar alguém com uma oportunidade de emprego via WhatsApp é um movimento comum dos RHs das empresas e, aproveitando-se desse movimento, fraudadores têm utilizado o mesmo canal para buscar possíveis vítimas. Esse novo golpe é conhecido como ‘Golpe do emprego de meio período’. 

Provavelmente você já recebeu uma mensagem com uma oportunidade para trabalhar em casa por meio período com um retorno de R$ 500 reais por dia, correto? A oferta é para ajudar a melhorar a reputação de empresas e, consequentemente, ampliar suas vendas.

“Como costumamos dizer, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Esse golpe se aproveita da empolgação das pessoas, que pensam que vão ganhar dinheiro de maneira fácil e acabam sendo vítimas de uma fraude. Por isso, é sempre importante desconfiar de promessas mirabolantes”, aconselha Ranier Aquino, analista de Segurança da Informação do AllowMe.

O time de segurança do AllowMe deu sequência à tentativa de golpe para entender como ele funciona. O primeiro contato ocorre via torpedo SMS, com a gramática alterada para burlar os sistemas de segurança das operadoras e um link direcionando para o WhatsApp, onde o golpe é iniciado. Vale ressaltar que os números são aleatórios, conseguidos através de dados vazados ou bases comercializadas na internet, este não é um golpe direcionado.

Assim que a vítima acessa o link enviado por SMS, um golpista inicia uma conversa por WhatsApp se passando por um entrevistador e pede algumas informações como nome completo, idade e experiência profissional.

Tudo parece normal até que começam as explicações sobre como é o trabalho.

Como funciona o golpe?

Segundo o “entrevistador”, o trabalho será para ajudar empresas a melhorarem a reputação. O trabalho deverá ser feito pelo celular e dura de 10 a 30 minutos. Então, o golpista afirma que vai enviar um link para a plataforma de trabalho, que é diferente daquela usada pelos usuários regulares.

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Em seguida, a vítima deverá se cadastrar e receberá R$ 5 em sua conta, o que seria o equivalente a primeira renda. A partir daí o golpe começa realmente.

A proposta do golpista é para que a vítima exerça uma função de “consumidor”, tendo de realizar compras de produtos pré-selecionados pela plataforma, o que trará um reembolso de R$ 30, além de uma comissão inicial de R$ 17,50. Após isso, o golpista promete que para cada compra subsequente a vítima receberá uma comissão de 30%.

O que acontece na verdade?

Imagine que você entrou na plataforma e recebe um saldo inicial de R$ 5. O primeiro produto que deverá comprar para aumentar a reputação da tal loja custa R$ 30, portanto você deve inicialmente depositar R$ 25 para a plataforma. Após realizar a “compra”, esse dinheiro é imediatamente “devolvido”, aparecendo como um balanço na plataforma – e que poderia ser sacado a qualquer momento por você.

Contudo, quando você tenta realizar o saque, a plataforma informa que é necessário o cumprimento de um número X de tarefas, que virão na sequência. Após realizar a primeira compra e se empolgar com a suposta comissão, você segue comprando e vai para a segunda tarefa, que necessita de um depósito um pouco maior.

Digamos que a tarefa número 2 seja a compra de um aparelho celular no valor de R$ 1.000. A vítima, então, deposita esse dinheiro na conta da plataforma e, ao realizar a compra, já recebe o dinheiro de volta com o valor da comissão de 30% somado, ou seja, terá mais de R$ 1.300 no “balanço”.

E assim segue. Sempre que a vítima quiser sacar o dinheiro receberá uma tarefa ainda mais cara para cumprir até ela perceber que aquilo se trata de um golpe e não conseguirá mais o dinheiro.

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“É um golpe que tenta passar uma sensação de autenticidade, mas vale ressaltar que ofertas de emprego normalmente não são feitas dessa forma, principalmente se você não está esperando um contato ou não se cadastrou em uma vaga de emprego”, diz Gustavo Monteiro, Managing Director do AllowMe.

Insistência

O time de especialistas do AllowMe, ao identificar como o golpe funcionava, decidiu encerrar o contato e não dar mais seguimento à conversa. Apesar disso, o golpista passou vários dias insistindo para que os depósitos fossem realizados e ainda enviou supostos comprovantes que mostravam que algumas pessoas já estão recebendo dinheiro com o trabalho.

Os valores demonstrados chegaram a ultrapassar a casa dos R$ 15 mil. “O ideal é não entrar em contato com o golpista e simplesmente ignorar essas mensagens. Além disso, fique atento e não preencha cadastros ou baixe aplicativos desconhecidos, já que o golpista terá em mãos dados importantes que podem ser usados até para outros golpes de engenharia social”, finaliza Monteiro.

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